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Após incêndio, cenário real de Novo Mundo luta para impedir história de virar pó

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Um dos principais cenários de Novo Mundo, o Museu Nacional viu boa parte de seu acervo construído ao longo de dois séculos ser consumido em poucas horas em um incêndio em 2017. Em meio às cinzas, a instituição vinculada à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) tenta impedir que boa parte da história do Brasil seja perdida para sempre.

Em 2017, o elenco e a equipe do folhetim de Alessandro Marson e Thereza Falcão rodaram as cenas dos primeiros capítulos no interior do Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O prédio, que então abrigava as peças mais valiosas do instituto, serviu como residência oficial das figuras históricas que serviram de inspiração para Pedro (Caio Castro) e Leopoldina (Leticia Colin).

Os atores tiveram a oportunidade de contracenar em meio a móveis, tapeçarias e obras de arte que realmente pertenceram ao imperador e sua família. “Foi muito importante gravar no museu antes de ser engolido pelas chamas. Eu fico feliz de tê-lo frequentado pelo menos uma vez por semana”, avaliou Débora Olivieri, a intérprete de Carlota Joaquina, em entrevista ao Notícias da TV.

O edifício também foi ocupado por dom Pedro 2º (1825-1891), um conhecido apreciador de arte e de ciências naturais. O nobre, que será interpretado por Selton Mello em Nos Tempos do Imperador, foi responsável por adquirir boa parte da coleção que se perdeu no fogo.

Com recursos próprios, o monarca adquiriu múmias egípcias, além de louças de Pompeia que sobreviveram à erupção do vulcão Vesúvio ainda no século 1. O museu ainda contava com o trono de Daomé, antigo reino africano onde hoje fica o Benin, dado de presente pelo rei Adandozan (1797-1818) a dom João 6º (1767-1826).

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

As chamas danificaram a estrutura do prédio de dois séculos na Quinta da Boa Vista, no Rio


Acervo destruído

Após o incêndio, a UFRJ resgatou diversas peças que estavam no palácio, como o meteorito do Bendegó, uma das maiores pedras vindas do espaço já encontradas no mundo. Não tiveram a mesma sorte as múmias egípcias e incas, fósseis de dinossauros, além da coleção de etnologia indígena –que tinha máscaras pintadas por Jean-Baptiste Debret (1748-1868).

Segundo a universidade, instituições de todo o mundo se mobilizam para auxiliar o Museu Nacional a reconstituir o seu acervo mesmo depois de perdas inestimáveis. “Recebemos recentemente a doação de 197 peças do Universalmuseum Joanneum, na Áustria. A coleção é de populações indígenas do Alto Xingu e chegará no Brasil no segundo semestre”, explicou o instituto em nota à reportagem.

O órgão também se organiza para a restauração do palácio. “Apesar da pandemia ter afetado o cronograma, o diretor Alexandre Keliner tem participado de diversas reuniões virtuais para conseguir apoio na reconstrução. Assim que possível, se iniciará a primeira etapa, que será de recuperação dos ornatos nas salas nobres do prédio”, afirma o comunicado.

A reprise da novela das seis da Globo, aliás, voltou a atiçar a curiosidade dos brasileiros sobre o museu e a sua reconstrução. “Nesse período, já recebemos algumas mensagens a respeito do assunto. Em 2017, tivemos um aumento no número de visitantes, que perguntavam sobre as gravações e sobre o período histórico da trama”, arremata a instituição.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O Palácio de São Cristóvão, atual sede do Museu Nacional, consumido pelas chamas em 2017


Relembre a tragédia

O Museu Nacional sofria com anos de descaso do poder público e foi consumido pelas chamas justamente em setembro do ano em que completaria 200 anos de existência. O fogo teve início em um dos aparelhos de ar condicionado localizados no auditório do térreo do prédio de três andares. Todo o acervo do primeiro pavimento, exceto a coleção de meteoritos, foi perdida.

O incêndio foi considerado uma tragédia pela imprensa internacional, que lamentou o triste fim de mais de 20 milhões de peças consideradas fundamentais para a compreensão da história humana.

Entre os itens retirados das cinzas, destaca-se o crânio o fêmur de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas. Estima-se que a “primeira brasileira” tenha vivido há mais de 11 mil anos na região onde hoje fica o sítio arqueológico da Lapa Vermelha, em Minas Gerais.

Fonte: Notícias da TV

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