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Crítica: Estou Pensando em Acabar com Tudo, da Netflix, é provocador

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O trabalho do diretor Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich) pode ser reconhecido muito facilmente na indústria do cinema: seu processo criativo como roteirista e diretor de filmes independentes imprime marcas inconfundíveis em seus longas-metragens, como a manipulação do conceito de tempo e espaço, a desconstrução de personagens e a abordagem pouco convencional de temas recorrentes da vida adulta. Aqui, vemos a demolição de sentimentos sendo o protagonista de um dos dramas mais estapafúrdios e, por incrível que pareça, mais realistas do diretor.

A atriz Jessie Buckley interpreta a personagem Lucy, uma jovem que está prestes a conhecer os pais de seu novo namorado (Jesse Williams). No primeiro ato do longa, acompanhamos os dois em uma espécie de Road movie até a fazenda na qual os sogros de Lucy moram (papéis interpretados incrivelmente por Toni Collette e David Thewlis). Apesar de coisas estranhas acontecerem e diálogos incrivelmente desconfortáveis e extensos serem expostos, o filme segue um padrão mais normativo de roteiro, até ambos chegarem na fazenda. Lá, Lucy conhece os sogros e passa a viver situações que desafiam as noções de realidade, tempo e espaço.

Aqui, Kaufman brinca de forma livre com a noção de tempo e realidades paralelas, mostrando de forma tensa e desconfortável as inúmeras possibilidades que assolam a vida da protagonista a partir de suas próprias escolhas pessoais. É com base na estranheza (e com diferentes citações literárias, artísticas e cinematográficas) que o diretor nos conduz por uma jornada exploradora dos sentimentos mais complexos da mente humana, como a solidão, o medo da morte e do envelhecimento, as dificuldades da vida a dois e as interações sociais.

Na eterna corda bamba do nonsense na sétima arte, Kaufman mais acerta que erra em seu trabalho. Com um cast extremamente talentoso e envolvente (com Toni Collette e David Thewlis roubando a cena para si próprios enquanto estão em tela), o ritmo excessivamente vagaroso e explicativo do filme não chega a se tornar um defeito, apesar de poder espantar os expectadores mais vidrados em ação e movimento. Para aqueles que buscam por um longa que te faça refletir e que te permita admirar uma vívida fotografia e diálogos diferentes, a obra é um prato cheio.

Fonte: Cineclick

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