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Movimentos do cinema nacional nas décadas de 60, 70, 80 e 90

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Lembra das aulas de História sobre a Guerra Fria? Você sabe o que ela tem a ver com o cinema nacional? Basicamente, o mundo ficou dividido entre os ideais do capitalismo e do socialismo, causando tensão principalmente entre os Estados Unidos e a União Soviética. Na década de 1950, Juscelino Kubitscheck era o presidente do Brasil e tinha uma postura que favorecia os norte-americanos e a industrialização massiva do país. Parte da população, por outro lado, discordava dessa postura.

O cinema nacional nas décadas de 1960 e 1970

Com a sociedade dividida, em 1960, Jânio Quadros, que sucedeu JK na presidência do Brasil, deu ênfase a dois problemas a serem resolvidos, caso fosse eleito, em sua campanha: a ineficiência governamental e a crise financeira que o país vivia.

Ele era como a “esperança” do “povo abandonado” e tinha como símbolo uma vassoura. De fato, ele prometia “varrer a corrupção do país”. Com um país polarizado ideologicamente e enfrentando crises governamentais e financeiras, surgem alguns dos movimentos mais emblemáticos do cinema nacional, que se estenderiam pelos anos mais duros da Ditadura Militar: o Cinema Novo, Cinema Marginal e as Pornochancadas.

Cinema Novo, Cinema Marginal e Pornochanchadas

O Cinema Novo focava em temáticas de cunho social e político, com fortes características revolucionárias. Na década de 1950, já foram produzidos filmes considerados precursores desse estilo, como “Rio 40 Graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos. No entanto, os mais emblemáticos são as produções do baiano Glauber Rocha: “Deus E O Diabo Na Terra Do Sol” (1964) e “O Dragão Da Maldade Contra O Santo Guerreiro” (1968).

De 1968 a 1970, especificamente, surge o Cinema Marginal, ou “Údigrudi”. Essas produções estavam bastante alinhadas ao movimento de contracultura e também ao tropicalismo. No exterior, a contracultura nasceu do desejo de uma felicidade individual, simples, distante da sociedade de consumo e do moralismo.

No Brasil, havia a cultura engajada dos Centros Populares de Cultura, que continha uma intensa militância política na qual uma parte do movimento da bossa nova evoluiu para as canções de protesto. Por outro lado, havia a cultura de consumo, representada pela Jovem Guarda e baseada na cultura do rock.

No meio do caminho, entre essas duas correntes, surgiu o Tropicalismo, movimento liderado por Caetano Veloso, Gilberto Gil e inspirado no antropofagismo das vanguardas modernistas brasileiras dos anos 20. O Údigrudi bebia nessa fonte e sofreu grande censura por parte do regime militar, por seu caráter experimental e radical. Um filme de grande destaque foi “O Bandido Da Luz Vermelha” (1968), dirigido por Rogério Sganzerla, e as maiores produtoras foram a “Boca do Lixo”, em São Paulo e a “Belair Filmes”, no Rio de Janeiro.

Por outro lado, em 1969, é criada a Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes), apoiada pelo governo ditatorial e com a finalidade de usar o cinema como uma importante ferramenta de controle estatal. Nesse contexto, o Estado passa a financiar as principais produções cinematográficas.

Na sequência dos anos 1970, em São Paulo, as produções de baixo custo do movimento “Boca do Lixo” começam a produzir as pornochanchadas. Talvez o gênero mais emblemático da história do nosso cinema. Baseada nas comédias italianas e com forte teor erótico, à exemplo de “A Viúva Virgem” (1972), do cineasta Pedro Carlos Rovai, as películas dessa corrente duraram até o fim da década de 1980.

Por fim, ainda que a produção cinematográfica tenha sofrido oscilações do meio para o encerramento da década de 1970, filmes como “Dona flor e Seus Dois Maridos” (1976), do cineasta Bruno Barreto, e filmes de comédias, com a turma dos Trapalhões, por exemplo, faziam bastante sucesso.

Cinema nacional nas décadas de 1980 e 1990

O começo da década de 1980, para o cinema nacional, é desastrosa. O primeiro motivo é a chegada do videocassete e a proliferação das locadoras. Depois vem o fim da ditadura e a crise econômica. Ocorreu um expressivo aumento das dívidas interna e externa e o processo inflacionário atingiu altos patamares. Assim, os produtores não tinham dinheiro para produzir seus filmes, e os espectadores, da mesma forma, já não tinham condições para ir aos cinemas.

Em 1975, funcionavam 3.276 salas de cinema ao redor do país, mas esse número foi diminuindo ao longo dos anos, até chegar a apenas 1.033 em 1995.

Mas, ainda assim, o cinema nacional não enfraqueceu totalmente. Algumas produções merecem destaque, tais quais: “O Homem Que Virou Suco” (1980), de João Batista de Andrade; “Jango” (1984), de Sílvio Tendler; “Cabra Marcado Para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho; “Pixote – A Lei Do Mais Fraco” (1980), de Hector Babenco; e “Ilha Das Flores” (1989), de Jorge Furtado, talvez o que mais tenha marcado época e que, aliás, continua muito atual.

Isso porque Ilha das Flores expressa de forma ácida – e com um ligeiro toque de humor – as muitas contradições das sociedades de consumo. E, assim, se mantém atual, 30 anos depois. O ser humano, integra e sustenta uma complexa cadeia que envolve lucro, pobreza, consumo, descarte e lixo.

“O tomate, plantado pelo senhor Suzuki, trocado por dinheiro com o supermercado, trocado pelo dinheiro que dona Anete trocou por perfumes extraídos das flores, recusado para o molho do porco, jogado no lixo e recusado pelos porcos como alimento está agora disponível para os seres humanos da Ilha das Flores”, diz a narração em off, ao desenhar a trajetória de um tomate, da colheita ao descarte, no aterro que dá nome ao filme.

Um dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), o documentário inovou em termos de linguagem, ao antecipar, segundo seu diretor, questões relacionadas à velocidade e ao hipertexto.

E por falar em descarte, em 1990, com a chegada de Fernando Collor no poder, a situação ficou dramática para o cinema nacional. Além das privatizações, o novo presidente extingue o Ministério da Cultura, e acaba com a Embrafilme, o Concine e a Fundação do Cinema Brasileiro.

Mas lembrando: cinema é arte – e em momentos difíceis ela pode ainda mais nos inspirar e nos dar forças para lutar.

Cinema de Retomada

É na segunda metade da década de 1990 que o cinema retoma sua musculatura. Esse período ficou conhecido como Cinema de Retomada.

Apesar de ter promulgado a Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo à cultura até hoje, foi somente após a renúncia de Collor que o cinema nacional voltou a respirar – ainda que muito timidamente.

O falecido presidente Itamar Franco, sucessor de Collor, promulgou a Lei do Audiovisual – uma lei de incentivo fiscal mais específica para o setor, e, até hoje, a mais utilizada. Seu sucessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu continuidade às suas políticas estatais de fomento à cultura.

O filme tido como marco inicial do movimento foi “Carlota Joaquina – A Princesa Do Brazil” (1995), de Carla Camurati, primeiro filme nacional da década a levar mais de 1 milhão de pessoas ao cinema. Em 1995, já foram lançados 14 longas, número que foi aumentando gradativamente. Durante o período de oito anos, chegaram aos cinemas mais de 180 longas, com 21 deles alcançando mais de 500 mil espectadores. O público que foi aos cinemas assistir a um longa brasileiro subiu de cerca de 800 mil, em 1996, para mais de 22 milhões, em 2003.

O gradativo aumento dos festivais de cinema foi outro elemento importante para essa divulgação do cinema nacional, bem como o acesso facilitado aos equipamentos cinematográficos, além, claro, de uma produção maior de filmes mais voltados para as massas. Houve também o deslocamento do eixo Rio-São Paulo de produção para outras partes do país e a revisitação do sertão e da favela, presentes em movimentos artísticos do passado.

Nessa década, merecem destaques as produções: “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto; “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto; e, principalmente, “Central Do Brasil” (1998), dirigido por Walter Salles. São filmes que definitivamente marcam o Cinema de Retomada, principalmente por terem atravessado fronteiras, ganhado bastante projeção internacional e pelo refino técnico que o cinema nacional começava a receber.

Fonte: Cineclick

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